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terça-feira, 18 de agosto de 2015

Deus Não Quer!



Em 2 Pedro 3:9 o apóstolo diz algo no sentido de que Deus "não quer que ninguém pereça". Este é o verso favorito de muitas pessoas, e um hino ou uma canção sacra já foi escrito com base nessas palavras.

O motivo pelo qual as pessoas gostam desse verso é que ele mostra a misericórdia de Deus; e sem a misericórdia de Deus todos nós estamos perdidos. Mas se esse verso ensina uma preciosa verdade, ele dever ser citado corretamente e por completo. Quando o diabo tentou Cristo, ele citou o Salmo 91, mas ele torceu o seu sentido, omitindo parte de uma frase e aplicando erroneamente o restante dele.

Semelhantemente, muitas pessoas que citam 2 Pedro 3:9 omitem a principal parte do verso e aplicam erroneamente o restante dele. Estes citam o verso como se ele dissesse: "Deus não quer que ninguém pereça". Então, uma vez que o Salmo 135:6 diz que "o Senhor faz tudo o que lhe agrada", e em Isaías 46:10 Deus diz "eu farei tudo o que me agrada", portanto ninguém está perdido e todas as pessoas são salvas. Deus não quer que ninguém pereça; Ele faz tudo o que lhe agrada; portanto Ele salva todas as pessoas.

No entanto, a Bíblia deixa claro que nem todo mundo é salvo. A Bíblia também deixa claro que Deus é onipotente e que Ele faz tudo o que lhe agrada. Por isso, deve haver algum erro de interpretação envolvido na omissão da principal parte deste verso de Pedro.

Seria melhor ler atentamente todo o capítulo sem omitir nada. Pedro está respondendo uma objeção à segunda vinda de Cristo. Os descrentes argumentam: Todas as coisas têm acontecido normalmente desde o início da criação; elas vão continuar seu curso natural; e nenhuma intervenção catastrófica ocorrerá para culminar a história.

Pedro responde que as coisas nem sempre seguiram o seu curso natural. Em uma ocasião Deus inundou o mundo e destruiu os ímpios. Portanto, a interpretação naturalista da história é errônea.

Essa resposta levanta outra pergunta. Por que Deus não envia Cristo imediatamente e destrói os ímpios? Essa pergunta pode ter sido feita por cristãos que estavam sofrendo perseguição. De qualquer forma, Pedro definitivamente se dirige aos cristãos e diz: O Senhor "é paciente para com vocês (a.v.: para conosco), não querendo que ninguém (de vocês, ou, de nós) pereça".

A palavra ninguém nessa passagem não se refere a ninguém em geral, mas a ninguém dos cristãos. A partir de outros textos na Bíblia, nós podemos dizer que Pedro ensina que o mundo continuará, e Cristo não retornará, até que todos aqueles que o Pai deu ao Filho na eternidade tenham vindo a Ele no tempo. Se o mundo acabar muito em breve, alguém escolhido no Amado antes da fundação do mundo perecerá. Deus não permitirá essa calamidade, pois Ele não quer que ninguém dos eleitos pereça.

Portanto, louvemos a imerecida misericórdia de Deus, que tarda o culminar catastrófico da história a fim de que o último dos eleitos seja salvo.


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Autor: Gordon Clark.
Tradutor: Thiago McHertt.
Texto Original: Gordon Clark Foundation.

Você Conhece o Deus Verdadeiro?



Você conhece o Deus Verdadeiro? Não o deus da imaginação do homem, mas o Deus da Bíblia? Essa é uma pergunta importante, porque Jesus nos ensina que a vida eterna é conhecer a Deus e Seu Filho, Jesus Cristo - Jo 17:3. Se você viverá com Deus para sempre nos céus, você precisa conhecê-Lo.

Se você está interessado em conhecer o Deus Verdadeiro, por favor considere as seguintes questões:

1. O Deus Verdadeiro

a) O Deus Verdadeiro é muito grande e glorioso. Ele é tão elevado e santo que nada em todo o mundo é comparado a Ele. Ele é o Deus Eterno, Todo-Poderoso, Onisciente e Imutável - Sl 113:4-6.

b) O Deus Verdadeiro é o Criador do mundo. Em seis dias, Ele criou os céus e a terra e tudo que nela contêm. Da mesma forma Deus também criou você - Gn 1.

c) O Deus Verdadeiro é o Sustentador do mundo. Ele sustenta cada criatura pelo Seu grande poder. Ele dá a você a vida, o folêgo a todas as coisas - At 17:25,28.

d) O Deus Verdadeiro é o Governador Absoluto do mundo. Ele faz Sua eterna vontade acontecer através do Seu grande poder. Deus é o seu Governador e Rei - Dn 4:34-35.

2. A Ordem de Deus

a) Visto que Deus é seu Criador, Sustentador e Governador, a quem você deve sua própria vida, Ele ordena que você reverencie a Ele como o único Deus Verdadeiro - Sl 33:8.

b) Deus exige que você adore e sirva a Ele com um coração cheio de gratidão por tudo que Ele tem feito por você - Sl 100.

c) Em reverência, você deve obedecer a lei de Deus assim dada nos Dez Mandamentos. Essa obediência deve ser completa e perfeita - Êx 20:3-17.

d) Essa obediência deve vir de um coração de amor. Você deve amar a Deus com todo o seu ser e você deve amar o seu próximo como a você mesmo - Mt 22:37-40.

3. A Queda do Homem

a) Entretanto, você não guarda os mandamentos de Deus por amor a Ele. Você é um pecador que falha em fazer o que Deus lhe ordena - Jó 7:20; 13:23;40:4.

b) Você não pode fazer nada verdadeiramente bom e agradável a Deus. Mesmo o melhor das suas obras são como trapo de imundícia para Deus - Rm 3:10-18.

c) Seus atos pecaminosos vem de um coração perverso. Você nasceu com uma natureza corrupta - Gn 6:5; Sl 51:5; Jer 17:9, 4.

d) Deus é o Santo que odeia o pecado e tem de punir os pecadores. Fora da graça de Deus, você será condenado para os tormentos eternos do inferno para sempre - Mt 13:49-50.

4. A Salvação de Deus

a) Deus é também o Salvador que enviou Jesus Cristo para o mundo para salvar pecadores de seus pecados e dos tormentos eternos do inferno - Is 43:11.

b) Em Sua morte, Cristo sofreu os tormentos do inferno no lugar de todos aqueles que crêem n'Ele. Através da Sua morte, Ele pagou o débito e ganhou para eles o perdão de seus pecados - 1Pe 3:18.

c) Cristo satisfez a ordem de Deus para os crentes através de um amor perfeito a Deus e de seguir a lei de Deus. Deus os considera justos em Cristo - Rm 5:19.

d) Cristo dá a vida espiritual para aqueles a quem Deus salva, de tal forma que eles crêem n'Ele. Eles conhecem a Deus e desfrutam da Sua comunhão. Eles viverão com o Deus Verdadeiro no céu para sempre.

5. A Fé Verdadeira

a) Você procura o perdão dos seus pecados, a justiça de Cristo e a eterna comunhão com o Deus Verdadeiro? Deus diz a você: "Creia no Senhor Jesus, e serão salvos, você e os de sua casa" - At 16:31.

b) Creia que Deus é o seu Criador, Sustentator e Governador, que é digno do seu amor e adoração. Perceba que você é um pecador que tem falhado em cumprir o dever dado por Deus e que você precisa de salvação. Confie em Deus para salvá-lo de seus pecados através da morte expiatória e a ressurreição vitoriosa de Jesus.

c) A fé verdadeira fará com que você se arrependa de seus pecados. Você reconhecerá que é um pecador, lamentará sobre o seu pecado e rebelião contra Deus, e abandonará o seu pecado - Ez 18:30.

d) A fé verdadeira vai fazer você ser obediente. Ela fará com que você procure guardar os mandamentos de Deus e viva uma vida de gratidão a Ele - Tg 2:17-19.

e) A fé verdadeira acredita que a salvação não é obra do homem, mas o dom gratuito de Deus. O crente é salvo unicamente pela graça de Deus - Ef 2:8-9.

6. Você conhece?

Você conhece o Deus Verdadeiro e Seu Filho Jesus Cristo? Se não, obedeça a ordem de Deus para confiar em Cristo para sua salvação. Sem o conhecimento do Deus Verdadeiro, o qual vem através da fé, você não tem vida eterna mas terá de enfrentar os tormentos eternos do inferno.


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Autor: Angus Stewart.
Tradutor: Lidiane Cecilio.
Texto Original: CPRC Website.

Fonte:http://www.firelandmissions.com/

segunda-feira, 27 de julho de 2015

O Papado


O Papado — dos primórdios ao Renascimento

por

Alderi Souza de Matos



Desde uma perspectiva protestante, o papado não é uma instituição de origem divina, mas resultou de um longo e complexo processo histórico. As Escrituras não dão apoio a essa instituição como uma ordenança de Cristo à sua igreja. É verdade que o Senhor proferiu a Pedro as bem conhecidas palavras: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja” (Mt 16.18). Todavia, isto está muito longe de declarar que Pedro seria o chefe universal da igreja (o primado de Pedro) e que a sua autoridade seria transmitida aos seus sucessores (sucessão apostólica). As primeiras gerações de cristãos não entenderam as palavras de Cristo dessa maneira. Tanto é que em todo o Novo Testamento não se vê noção de que Pedro tenha ocupado uma função especial de liderança na igreja primitiva. No chamado “Concílio de Jerusalém”, narrado no capítulo 15 de Atos dos Apóstolos, isso não aconteceu, e o próprio Pedro não reivindica essa posição em suas duas epístolas. Antes, ele se apresenta como apóstolo de Jesus Cristo e como um presbítero entre outros (1 Pe 1.1; 5.1).


Mais difícil ainda é estabelecer uma relação inequívoca entre Pedro e os bispos de Roma. Os historiadores não vêem uma base absolutamente segura para afirmar que Pedro tenha estado em Roma, quanto mais para admitir que ele tenha sido o primeiro bispo daquela igreja. Ademais, é um fato bem estabelecido que não houve episcopado monárquico no primeiro século. As igrejas eram governadas por colegiados de bispos ou presbíteros (ver At 20.17, 28; Tt 1.5, 7).

Ao mesmo tempo, não se pode deixar de reconhecer que ainda na igreja antiga os bispos de Roma alcançaram grande preeminência, que em muitas ocasiões o papado prestou serviços crucialmente relevantes à igreja e à sociedade e que muitos papas foram homens de grande piedade, integridade moral, saber teológico e habilidade administrativa. Ao longo dos séculos, muitos dos principais eventos da história da igreja nas áreas da teologia, organização eclesiástica e relações entre a igreja e a sociedade tiveram conexão com a instituição papal. Originalmente, a palavra grega papas ou a latina papa foi aplicada a altos oficiais eclesiásticos de todos os tipos, especialmente aos bispos. A partir de meados do quinto século passou a ser aplicada quase que exclusivamente aos bispos de Roma. Foram múltiplos e complexos os fatores que levaram ao reconhecimento de que esses bispos detinham autoridade suprema sobre a igreja ocidental.

Em primeiro lugar, há que se destacar a importância crescente da igreja local de Roma desde o primeiro século. O livro de Atos dos Apóstolos termina com a chegada de Paulo a Roma. O apóstolo aos gentios escreveu a principal de suas epístolas a essa igreja e no segundo século surgiu uma tradição insistente de que tanto Paulo como Pedro, os dois apóstolos mais destacados, haviam sido martirizados naquela cidade. Além disso, já numa época remota, a igreja de Roma tornou-se a maior, a mais rica e a mais respeitada de toda a cristandade ocidental. Outro fator que contribuiu para a ascendência da igreja romana e do seu líder foi a própria centralidade e importância da capital do Império Romano. Ao contrário da região oriental, em que várias igrejas (Alexandria, Jerusalém, Antioquia e Constantinopla) competiam pela supremacia em virtude de sua antigüidade e conexões apostólicas, no Ocidente a igreja de Roma, desde o início, foi praticamente a líder inconteste. Outrossim, a partir de Constantino, muitos imperadores romanos fizeram generosas concessões àquela igreja, buscaram o conselho dos seus bispos e promulgaram leis que ampliaram a autoridade deles.

Outro elemento importante é que desde cedo a igreja romana e os seus líderes reivindicaram, direta ou indiretamente, certas prerrogativas especiais. No final do primeiro século (ano 96), o bispo Clemente enviou em nome da igreja de Roma uma carta à igreja de Corinto para aconselhá-la e exortá-la quanto a alguns problemas que esta vinha enfrentando. Um século depois, o bispo Vítor (189-198) exerceu considerável influência na fixação de uma data comum para a Páscoa, algo muito importante face à centralidade da liturgia na vida da igreja. As consultas entre outros bispos e Roma também datam de uma época antiga, embora a primeira decretal oficial (carta normativa de um bispo de Roma em resposta formal à consulta de outro bispo) só tenha surgido em 385, com o papa Sirício. Por volta de 255, o bispo Estêvão utilizou a passagem de Mateus 16.18 para defender as suas idéias numa disputa com Cipriano de Cartago. E Dâmaso I (366-84) tentou oferecer uma definição formal da superioridade do bispo romano sobre todos os demais.

Essas raízes da supremacia eclesiástica romana foram alimentadas pelas atividades capazes de muitos papas. No quinto século destaca-se sobremaneira a figura de Leão I (440-61), considerado por muitos “o primeiro papa”. Leão exerceu um papel estratégico na defesa de Roma contra as invasões bárbaras e escreveu um importante documento teológico sobre a pessoa de Cristo (o Tomo), que teve influência decisiva nas resoluções do Concílio de Calcedônia (451). Além disso, ele defendeu explicitamente a autoridade papal, articulando mais plenamente o texto de Mateus 16.18 como fundamento da autoridade dos bispos de Roma como sucessores de Pedro. Seu sucessor Gelásio I (492-96) expôs a célebre teoria das duas espadas: dos dois poderes legítimos que Deus criou para governar no mundo, o poder espiritual — representado pelo papa — tinha supremacia sobre o poder secular sempre que os dois entravam em conflito.

O apogeu do papado antigo ocorreu no pontificado do notável Gregório I ou Gregório Magno (590-604), o primeiro monge a ocupar o trono papal. Sua lista de realizações é impressionante. Ele supervisionou as defesas romanas contra os ataques dos lombardos, realizou complicadas negociações com o imperador bizantino, saneou as finanças da igreja e reorganizou os limites e responsabilidades das dioceses ocidentais. Ele foi também um dedicado estudioso das Escrituras. Suas exposições bíblicas, especialmente um comentário do livro de Jó, foram muito lidas em toda a Idade Média. Seus escritos sobre os deveres dos bispos deram forte ênfase ao cuidado pastoral como uma atividade prioritária. Ele reformou a liturgia, regularizou as celebrações do calendário cristão e promoveu a música sacra (“canto gregoriano”). Finalmente, Gregório foi um grande promotor de missões, enviando missionários para vários centros estratégicos do norte e do oeste da Europa e expandindo a área de jurisdição do papado.

Um momento especialmente significativo na evolução do papado ocorreu no Natal do ano 800, quando o papa Leão III coroou Carlos Magno como sacro imperador romano. A essa altura, a complexa associação dos elementos citados (e outros mais) havia criado uma situação na qual o bispo romano era amplamente considerado o principal personagem eclesiástico do Ocidente, bem como o representante do cristianismo ocidental perante o Oriente. Algumas décadas antes, o pai de Carlos Magno havia cedido à igreja os amplos territórios do centro e norte da Itália, que vieram a constituir os estados pontifícios. Isso fez dos papas governantes seculares como os demais soberanos europeus. Por vários séculos, os papas teriam um relacionamento estreito e muitas vezes altamente conflitivo com esses soberanos. Mas a sua autoridade como líderes máximos da igreja ocidental não seria questionada.

O papado teve também seus períodos sombrios, marcados por imoralidade e corrupção. Um desses períodos foi entre o final do século IX e o início do século XI, quando a instituição papal foi controlada por poderosas famílias italianas. A história revela que um terço dos papas dessa época morreu de forma violenta: João VIII (872-882) foi espancado até a morte por seu próprio séquito; Estêvão VI (885-891) foi estrangulado; Leão V (903-904) foi assassinado por seu sucessor, Sérgio III (904-911); João X (914-928) morreu asfixiado; e Estêvão VIII (928-931) foi horrivelmente mutilado, para não citar outros fatos deploráveis. Parte desse período é tradicionalmente conhecida pelos historiadores como “pornocracia”, numa referência a certas práticas que predominavam na corte papal.

A partir de meados do século XI, surgiram vários papas reformadores, que procuraram moralizar a administração da igreja, lutando contra diversos males que a assolavam. O mais notável foi Hildebrando ou Gregório VII (1073-1085), que notabilizou-se por sua luta contra a simonia, ou seja, o comércio de cargos eclesiásticos, e ficou célebre por sua confrontação com o imperador alemão Henrique IV. Ele escolheu como lema do seu pontificado o texto de Jeremias 48.10: “Maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente”. Todavia, o ápice do poder papal ocorreu no pontificado de Inocêncio III (1198-1216), considerado o papa mais poderoso de todos os tempos, aquele que, mais do que qualquer outro, concretizou o ideal da “cristandade”, ou seja, uma sociedade plenamente integrada sob a autoridade dos reis e especialmente dos papas. Ele foi o primeiro a usar o título “vigário de Cristo”, ou seja, o papa era não somente o representante de Pedro, mas do próprio Senhor. Seus sucessores continuaram por algum tempo a fazer ousadas reivindicações de autoridade sobre toda a sociedade, sem contudo transformá-las em realidade como o fizera Inocêncio.

Novo período de declínio e desmoralização do papado ocorreu no século XIV e início do século XV. Primeiro, os papas moraram na cidade de Avinhão, ao sul da França, por mais de setenta anos (1305-1378), colocando-se sob a influência dos reis franceses. Esse período ficou conhecido como “o cativeiro babilônico da igreja”. Em seguida, por outros quarenta anos (1378-1417), houve dois e, finalmente, três papas simultâneos (em Roma, Avinhão e Pisa), no que ficou conhecido como “o grande cisma”. Essa situação embaraçosa foi sanada por vários concílios reformadores, especialmente o de Constança, que reivindicaram autoridade igual ou mesmo superior à dos papas. Em reação, estes reafirmaram ainda mais enfaticamente a sua autoridade suprema sobre a igreja.

O final do século XV e início do XVI testemunhou o pontificado dos chamados “papas do Renascimento”, os quais, ao contrário de muitos de seus predecessores ou sucessores, tiveram escassas preocupações espirituais e pastorais. Como papa Alexandre VI (1492-1503), o espanhol Rodrigo Borja dedicou-se prioritariamente a promover as artes e a embelezar a cidade de Roma; Júlio II (1503-1513) foi um papa guerreiro, comandando pessoalmente o seu exército; e Leão X (1513-1521) teria dito ao ser eleito: “Agora que Deus nos deu o papado, vamos desfrutá-lo”. Foi ele quem despertou a indignação do monge agostiniano Martinho Lutero ao autorizar a venda de indulgências para concluir as obras da Catedral de São Pedro. O resultado dessa indignação é conhecido de todos.




Sobre o autor: Alderi Souza de Matos, doutor em história da igreja, é historiador oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil.
 
Fonte: Revista Ultimato.


Extraído de: http://www.materiasdeteologia.com

Os Cinco Pontos Do Calvinismo


João Calvino e Os Cinco Pontos Do Calvinismo

Rev. André do Carmo Silvério

É muito comum se ouvir falar sobre “Os Cinco Pontos do Calvinismo”. Eu mesmo, quando me tornei aluno da classe de catecúmenos, com a finalidade de ser membro da Igreja Presbiteriana do Brasil, lembro-me de ouvir por várias vezes falar sobre esse assunto. 


Contudo, meu raciocínio não era outro, senão, o de achar que o autor destes pontos era de fato o próprio reformador do século XVI: João Calvino. Mas somente no Seminário pude ter um contato mais próximo com obras literárias que falavam sobre o assunto, e, desta forma, creio ter sido esclarecido sobre o que realmente vem a ser “Os Cinco Pontos do Calvinismo”. 

Portanto, o objetivo deste pequeno artigo é esclarecer de forma simples quem de fato escreveu os chamados “Cinco Pontos do Calvinismo”, por qual razão e porque eles são “cinco pontos” ao invés de sete ou dez. Além disso, procuraremos destacar a sua relevância para a nossa teologia. 


1. Autoria 
Ao contrário do que muitos pensam, não foi João Calvino quem escreveu “Os Cinco Pontos do Calvinismo”. Talvez algumas pessoas ficarão impressionadas com esta afirmação. No entanto, a magna pergunta que se faz é: Se não foi Calvino, quem foi então? “Estes cinco pontos foram formulados pelo Sínodo de Dort, Sínodo este convocado pelos estados Gerais (da Holanda) e composto por um grupo de 84 Teólogos e 18 representantes seculares, entre esses estavam 27 delegados da Alemanha, Suíça, Inglaterra e outros países da Europa reunidos em 154 Sessões, desde 13 de novembro de 16 18 até maio de 1619” . [1] Portanto, peca por ignorância quem afirma ser João Calvino o autor destes cinco pontos, porque na verdade, a afirmação correta é que estes “pontos” foram fundamentados tão somente nas doutrinas ensinadas por ele. Aliás, este sistema doutrinário, se assim podemos chamá-lo, foi elaborado somente 54 anos após a morte do grande reformador (1509-1564). 
  
2. Razão de sua Escrita 
Os Cinco Pontos do Calvinismo foram formulados em resposta a um “documento que ficou conhecido na história como ‘Remonstrance' ou o mesmo que ‘Protesto'”, [2]apresentado ao Estado da Holanda pelos “discípulos do professor de um seminário holandês chamado Jacob Hermann, cujo sobrenome latino era Arminius (1560-1600). Mesmo estando inserido na tradição reformada, Arminius tinha sérias dúvidas quanto à graça soberana de Deus, visto que era simpático aos ensinos de Pelágio e Erasmo, no que se refere à livre vontade do homem”. [3] Este documento formulado pelos discípulos de Arminius tinha como objetivo mudar os símbolos oficiais de doutrinas das Igrejas da Holanda (Confissão Belga e Catecismo de Heidelberg ), substituindo pelos ensinos do seu mestre. Desta forma, a única razão pela qual Os Cinco Pontos do Calvinismo foram elaborados era a de responder ao documento apresentado pelos discípulos de Arminius. 

3. Porque Cinco Pontos? 
Este documento formulado pelos alunos de Jacob Arminius tinha como teor cinco principais pontos, conhecidos como “Os Cinco Pontos do Arminianismo”. E como já dissemos logo acima, em resposta a este Cinco Pontos do Arminianismo, o Sínodo de Dort elaborou também o que conhecemos como “Os Cinco Pontos do Calvinismo” ao invés de sete ou dez. 
Estes pontos do calvinismo são conhecidos mundialmente pela palavra TULIP, um acróstico popular que na língua inglesa significa: 


4. Os Cinco Pontos do Arminianismo Versus Os Cinco Pontos do Calvinismo [4]





5. Considerações Finais 
Para inteirar o leitor do todo da história, Spencer nos diz que após o Sínodo de Dort se reunir em 154 Sessões num “completo exame das doutrinas de Arminius e comparar cuidadosamente seus ensinos com os ensinos das Escrituras Sagradas, chegaram à conclusão que os ensinos de Arminius eram heréticos”. [5] “E não somente isto, mas o Concílio impôs censura eclesiástica aos ‘remonstrantes' depondo-os dos seus cargos, e a autoridade civil (governo) os baniu do país por cerca de seis anos”. [6]
Diante disso, creio que a diferença crucial entre o Arminianismo e o Calvinismo se resume na palavra Soberania. Enquanto os calvinistas entendem que Deus opera a salvação na vida do ser-humano conforme a sua livre e soberana vontade, os arminianos salientam que o homem é capaz de por si só querer ou não ser salvo. Se partirmos da premissa que o homem está completamente morto diante de Deus como nos ensina Efésios 2:1, entenderemos porque a salvação depende tão somente da graça e da misericórdia do SENHOR, pois “não depende de quem quer ou quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm 9:16). Portanto, creio que os objetivos deste artigo foram de fato alcançados, demonstrando assim a verdadeira história dos “Cinco Pontos do Calvinismo”. Que assim, queira o Senhor nosso Deus nos abençoar e nos dar sempre a graça de sermos verdadeiros propagadores da história reformada. 




Abrindo os olhos espirituais


Abrindo os olhos espirituais “Enxergando o invisível”

Texto: II Reis 6:8 -18

Introdução:
O Texto lido nos relata que Israel vivia um dos momentos mais críticos de sua história, quando o moço do profeta Eliseu acorda pela madrugada e vê toda cidade cercada pelo inimigo, ele então se desespera e pede socorro “...Ai! Meu senhor! Que faremos?”
(II Rs 6:15b).  Foi nesse momento que através da oração do profeta Eliseu que algo sobre natural e impressionante acontece, Eliseu pede para o seu moço que ele abra o seus olhos e enxergue a vitória que o Senhor proporcionará e que Israel não seria sucumbido pelo rei da Síria.

“Ele respondeu: Não temas, porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles. Orou Eliseu e disse: SENHOR, peço-te que lhe abras os olhos para que veja. O SENHOR abriu os olhos do moço, e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu” (II Rs 6:17-18).

Eliseu vinha de um milagre anterior onde o local em que eles (Eliseu e os discípulos dos profetas) estavam se tornara pequeno e havendo a necessidade de ser expandido saem à procura de madeiras para a tal ampliação do local, só que um dos discípulos dos profetas deixa cair a sua ferramenta de trabalho, ou seja, o machado que estava usando para cortar as madeiras cai sobre as águas do rio Jordão e o pior o machado era emprestado “... Ai! Meu senhor! Porque era emprestado” (II Rs 6:1-5).


Então através de Eliseu Deus opera um milagre, faz com que o pesado machado flutuasse sobre as águas do rio Jordão.

Em qual situação você se encontra hoje, como esta a sua vida, você está vivendo momentos difíceis, não consegue olhar ao redor e encontrar uma saída ou a solução para o seu problema?  Abra os teus olhos, Deus vai mostrar a você o meio e a estratégia de como sair dessa situação.

Podemos extrair algumas lições nesse texto apresentado:

1 – Havia uma crise (v.14)
O rei da Síria enviou para Dotã, lugar onde estava Eliseu, homem de Deus, cavalos, carros e tropas de soldados “Então, enviou para lá cavalos, carros e fortes tropas; chegaram de noite e cercaram a cidade”  (II Rs 6:14).
Um exército cercou a cidade.
Um homem cercado pelos inimigos.
Não tem sido assim em nossas vidas, muitas vezes sentimos encurralado?
Num beco sem saída?
Em meio a uma guerra?
Sentimos só, parece que Deus se esqueceu de nós.
O rei da Síria, citado aqui no texto pode ser representado com o pecado que tão de perto nos rodeia e nos embaraça “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia,...” (Hb 12:1), a Bíblia nos diz para estarmos com os olhos abertos “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar;”  (I Pd 5:8).
Como os pecados tem nos cercado, assim também problemas tem nos afligido, problemas familiares, emocionais, econômicos, de saúde etc.
O momento pode ser dramático ou de sobremaneira difícil, somos hoje pessoas cercadas, encurraladas sem saída.
Como Eliseu estamos cercados por todos os lados pelos inimigos que querem nos devorar.

2 – Houve o momento de desespero (v.15)
No versículo 15, “Tendo-se levantado muito cedo o moço do homem de Deus e saído, eis que tropas, cavalos e carros haviam cercado a cidade; então, o seu moço lhe disse: Ai! Meu senhor! Que faremos?” (II Rs 6:15).
Conta que o discípulo do homem de Deus se levantou muito cedo provavelmente de madrugada e saiu, e eis que um exército tinha cercado a cidade com cavalos e carros; “...então, o seu moço lhe disse: Ai! Meu senhor! Que faremos?” (II Rs 6:15).
Passamos por muitos desesperos na jornada da vida cristã, sentimos acuados em meio às dificuldades e problemas que muitas das vezes sem que quisermos são proporciona a nós, temos vários medos e achamos que vamos perecer ou até mesmo sucumbir diante das tamanhas adversidades. Muitos na hora do desespero chegam ao ponto de tentar ceifar a sua própria vida, se escondem, tentam fugir, mudam de endereço ou até mesmo mudam de igrejas e assim vai de mal a pior, acham que fazendo isso tudo vai mudar, vai ser solucionado o problema, que engano, todos esses planos na verdade na hora do desespero é uma válvula de escape que acabam em mais frustração e mais derrotas, e quando não acabam em depressões.

Quando olhamos para alguns personagens Bíblicos que venceram e não se desesperaram, temos exemplos maravilhosos como, por exemplo:

Moisés – Deus lhe envia para tirar o Seu povo do Egito que estavam nas garras de Faraó, Deus permite que Moisés retire o Seu povo, só que ao mesmo tempo endurece o coração de faraó e este vem com os seus cavaleiros para aprisiona-los novamente, olhe que situação, o povo murmurando, o mar vermelho a frente e logo atrás os cavaleiros de faraó, que situação. Imagine se Moisés desesperasse com aquela situação ele com certeza como diz o ditado popular “morreria na praia”, mas o que Moisés fez, foi olhar para o Senhor e lhe pedir o socorro.
“Moisés, porém, respondeu ao povo: Não temais; aquietai-vos e vede o livramento do SENHOR que, hoje, vos fará; porque os egípcios, que hoje vedes, nunca mais os tornareis a ver. O SENHOR pelejará por vós, e vós vos calareis. Disse o SENHOR a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem.” (Êx 14:13-15)

Davi – imaginem quando Davi foi afrontado pelos Filisteus e principalmente pelo gigante Golias, se ele tivesse olhado somente para o tamanho do problema ou do gigante e esquecido de olhar para o tamanho do seu Deus. Com certeza o povo de Israel teria perecido.
“Davi, porém, disse ao filisteu: Tu vens contra mim com espada, e com lança, e com escudo; eu, porém, vou contra ti em nome do SENHOR dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado” (I Sm 17:45).

3 – Deus sempre está presente (v.16)
“Ele respondeu: Não temas, porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles” (II Rs 6:16).
O profeta Eliseu no momento mais crítico e difícil responde com grande confiança: "...mais são os que estão conosco...". Jesus esta conosco todos os dias. “..., porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo” (I Jo 4:4).
“...E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28:20).

4 – Deus abre os olhos espirituais e provê o socorro (v.17)
“Orou Eliseu e disse: SENHOR, peço-te que lhe abras os olhos para que veja...” (II Rs 6:17a).
Deus responde a oração do profeta Eliseu “...O SENHOR abriu os olhos do moço,...” (II Rs 6:17b).
Quantos estão presos como um pássaro em uma gaiola e não consegue ver que a porta está aberta. É necessário que o Senhor abra os nossos olhos. Só estamos vendo os problemas, infelizmente estamos com os olhos fechados, e não temos visto os milagres que o Deus das impossibilidades pode realizar por nós.

“Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas” (Lc 1:37).
O monte estava cheio de cavalos e carros, um grande exercito de inimigos “...eis que tropas, cavalos e carros haviam cercado a cidade;...” (II Rs 6:15). No meio das adversidades ali estava Deus com carros e cavalos de fogo para garantir a vitória de seu filho “...e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu” (II Rs 6:17c). Não pense que você está sozinho nesta luta, Jesus esta com contigo pra ti ajudar e socorrer. Deus quer nos acudir, quer nos socorrer, quer suprir as nossas  necessidades. Ele é poderoso para fazê-lo. Hoje Deus pode enviar suas carruagens de fogo para nos atender, não podemos nos esquecer de que há um grande exercito a nossa volta.
“O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem e os livra” (Sl 34:7).
“Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação?” (Hb 1:14).

5 – Vencemos o mal através do bem (v.18)
O exército dos inimigos desceu para a peleja, para o ataque, para a batalha. Porém o homem de Deus orou e os olhos dos soldados Sírios ficaram cegos. Quando oramos ao Senhor, o mal não prevalece, não avança, pois nenhuma arma forjada contra nós prosperará.
“Toda arma forjada contra ti não prosperará; toda língua que ousar contra ti em juízo, tu a condenarás; esta é a herança dos servos do SENHOR e o seu direito que de mim procede, diz o SENHOR” (Is 54:17).
Deus nos dará sempre a vitória sobre os nossos inimigos, quando agimos conforme a Sua palavra, vencendo o mal com o bem.
“Se o que te aborrece tiver fome, dá-lhe pão para comer; se tiver sede, dá-lhe água para beber,porque assim amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça, e o SENHOR te retribuirá”. (Pv 25:21-22)
“...se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12:20-21).

Assim fez o rei de Israel com os seus inimigos:
“Ofereceu-lhes o rei grande banquete, e comeram e beberam; despediu-os, e foram para seu senhor; e da parte da Síria não houve mais investidas na terra de Israel” (II Rs 6:23).

Conclusão:
O Senhor quer abrir os seus olhos, Ele quer operar nesta situação que você se encontra hoje, é um problema financeiro, familiar ou uma enfermidade.
Qual o vale que você se encontra hoje?
O Senhor quer abrir os seus olhos e com certeza você vai poder enxergar o Seu agir sobrenatural em sua vida.
Tudo pode ser tornar diferente a partir de hoje, se você conseguir abrir os seus olhos e começar a enxergar o mundo espiritual.
Onde está o rei da Síria?
Onde estão os soldados?
Onde estão os inimigos?
O que você está enxergando?
O Senhor quer mudar a sua visão, neste problema, nesta ameaça, nesta luta, nesta dificuldade.
Se hoje você deixar o Senhor abrir os seus olhos, você ira sair daqui como um vitorioso (a), você vai sair daqui com cabeça erguida, você vai sair confiante, pois O senhor está comigo, no que temerei “...Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8:31).
Apenas uma oração que o homem de Deus fez e que foi o suficiente para mudar a opinião daquele moço.
A intervenção do Senhor muda a nossa visão, muda a maneira de como enxergamos os problemas, Deus não retirou o moço daquela situação, o discípulo de Eliseu continuou no mesmo lugar, ele simplesmente começou a enxergar o mundo espiritual, o Senhor mudou a sua história.
Meus queridos amigos, o rei da Síria foi vencido pelos exércitos de Deus, satanás já está derrotado, Jesus o venceu na Cruz para que você como filho de Deus seja um grande vencedor e herdeiro de todas as Suas promessas.  
Abra os seus olhos e comece enxergar as bênçãos que o Senhor tem proporcionado a você, a sua família e os seus negócios.

Pr. Adão Carvalho
Pastor Auxiliar da Igreja Evangélica Presbiteriana Ebenézer – Americana/SP
www.iepeamericana.com.br

Extraído de: http://www.materiasdeteologia.com

sábado, 18 de julho de 2015

O DEVER BÍBLICO DE JULGAR


Por

Alexandre Amin

Introdução

O fraco e falho argumento de que cristãos não devem julgar já ultrapassou o clichê. Dito por aqueles que, na maioria das vezes, não dedicaram tempo algum para fundamentar esta opinião. Na verdade, pensar em pessoas que não dedicam tempo para fundamentar suas opiniões é um pleonasmo neste século e neste país. O que mais vemos são argumentos sem embasamento, crendices tolas fundamentadas no vácuo. Parece que a tecnologia progride na mesma velocidade da regressão mental da população.  Mas não vamos julgar!rs rs rs.

A falácia do partido dos tolerantes não é apenas vã na perspectiva bíblica, pois para onde caminharia uma sociedade que aceita tudo? Onde estaria o povo que não exerce sua capacidade crítica? O que seria da justiça se a relativização moral fosse levada ao pé da letra? Deveriam, então, ser extintos os tribunais e soltos os criminosos?

Não julgueis?

Mas vamos ao que interessa, a perspectiva bíblica. O texto de Mateus 7:1ss é, sem dúvida, o mais citado contra a atitude de julgar. “Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados” (v.1-2). Mas o que poucos percebem é que neste texto Jesus está exortando contra um qualidade específica de julgamento, o hipócrita. Veja que no versículo 3 ele se refere a “argueiro” (cisco) e “trave” (viga de madeira); a intenção aqui é mostrar que o julgador pratica o mesmo pecado que aquele a quem ele está julgando, mas em uma intensidade superior. Ambos estão em pecado, e pecados da mesma natureza. Exemplificando, como poderia um homem que está traindo sexualmente sua esposa julgar arrogantemente um adolescente que tem lutado com seu olhar para com as meninas? (E por favor, não diga que para Deus não existe “pecadinho”nem “pecadão”, pois este argumento não cabe aqui. O sangue de Cristo justifica todos os pecados de quem se arrepende, não importa o grau; mas perante a Lei de Deus os pecados são diferenciados, tanto que as consequências destes são diferentes). Continuando no versículo 5, Jesus diz: “Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão”. Percebe? Depois de tratado o pecado, podemos, e devemos, olhar para o cisco do olho de nosso irmão, mas com a intenção sincera de retirá-lo; e isso significa ajudá-lo a vencer o pecado que, graças a atuação do Espírito Santo, nós temos vencido.

Atirar a primeira pedra!

Outro texto comumente citado é o da mulher adúltera: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire a pedra. [...] Ninguém te condenou? [...] Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais” (Jo 8:7,10,11). O que seriam as pedras? Julgamento ou condenação? A diferença aqui é clara; Jesus mesmo julgou a mulher quando disse “não peques mais”. Para Cristo, o pecado da mulher estava claro, e este pôde ser percebido por muitos outros, que estavam certos em julgá-la. A questão é que os acusadores tinham passado do julgamento para a condenação, e é contra isto a que Jesus se opõe. Condenar um pecador não cabe a nós, exceto em raras ocasiões de disciplina eclesiástica, como o apóstolo Paulo orienta aos coríntios (1 Co 5:3-5).

O dever de julgar

Mesmo interpretando estes textos complicados à luz do contexto histórico, muitos ainda continuam defendendo a postura tolerante. O problema é que não apenas estes textos não falam contra julgar, como há outros textos que nos orientam a fazê-lo.

No livro de Levítico, Moisés orientou o povo a que expusesse o pecado alheio, para que o mesmo fosse julgado corretamente; quem não o fizesse seria tido como cúmplice de tal pecado. “Quando alguém pecar nisto: tendo ouvido a voz da imprecação, sendo testemunha de um fato, por ter visto ou sabido e, contudo, não o revelar, levará a sua iniquidade” (Lv 5:1).

Julgar também envolve sabedoria, tanto que o rei Salomão ao pedir sabedoria a Deus, também pede: “Dá, pois, ao teu servo coração compreensivo para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal; pois quem poderia julgar a este grande povo?” (1 Rs 3:9).

Como já citado anteriormente, Paulo exortou a igreja de Corinto a julgar os que estavam vivendo em impureza, e expulsá-los do meio dos crentes; “Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor” (1 Co 5:13). Ainda na mesma carta, diz: “Falo como a criteriosos; julgai vós mesmos o que digo” (1 Co 10:15). Aos tessalonicenses: “Julgai todas as coisas, retende o que é bom” (1 Ts 5:21). Aos de Éfeso: “E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as” (Ef 5:11). E uma das frases mais duras do apóstolo: “Se alguém vos pregar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema [maldito]” (Gl 1:9).

Jesus também abordou este assunto, quando disse: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores” (Mt 7:15). E no Evangelho de João: “Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça” (Jo 7:24).

Também é interessante notar que o povo da cidade de Bereia foi elogiado por Lucas como sendo nobres, por julgarem o que tinham ouvido de Paulo e Silas; e tendo examinado, creram, recebendo o Evangelho. “Ora, estes de Bereia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” (At 17:11).

Creio que depois de citar estes textos, cabe agora um esclarecimento mais sistemático sobre o que julgar. Segundo o Rev. Doug Kuiper, devemos (1) julgar práticas e ensinos, se estão de acordo com a Palavra de Deus; (2) julgar o pecado como sendo pecado; (3) julgar nossos próprios pecados, para não cair em hipocrisia, e estar sempre de acordo com a reta justiça. E ainda acrescento um último ponto: (4) julgar em amor.

O perigo de não julgar

O discurso de não julgar esconde muitos perigos. Creio que o principal se manifesta na seguinte frase: “Como podemos julgar, se não somos os donos da verdade?”. Não sei se você percebe a contradição de um cristão fazer uso de tal discurso. A grande burrice desta frase é que se não podemos saber a verdade, como sabemos que Cristo é a verdade? Se fomos deixados à mercê de qualquer certeza, como podemos crer na remissão dos pecados, no retorno glorioso de Cristo, na vida eterna?

A Palavra de Deus é a verdade, e por meio dela podemos sim conhecer a verdade. “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2 Tm 3:13). E quanto às palavras de Cristo: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17:17); “Eu sou o caminho, a verdade, e a vida: ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14:6); “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8:32). Ainda há outro texto impressionante a respeito da verdade: “Também sabemos que o Filho de Deus é vindo e nos tem dado entendimento para reconhecermos o verdadeiro; e estamos no verdadeiro, em seu Filho, Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1 Jo 5:20).

Utilizo-me mais uma vez da proposta de Kuiper, quando ele diz que a visão da tolerância é perigosa, ímpia e anti-bíblica. (1) Perigosa, pois leva à acomodação adicional da igreja com o mundo, em violação ao seu chamado (Rm 12:2). (2) Ímpia pelo fato de rejeitar Jeová como o Deus cuja Palavra é o padrão para a vida e doutrina. (3) Anti-bíblica, pois a Bíblia ensina sim que podemos, e devemos julgar.

Conclusão

Precisamos, como cristãos maduros, e não como crianças espirituais, ter nossa fé muito bem fundamentada, e entender que podemos sim ter certeza a respeito das verdades espirituais; não podemos entender tudo de forma exaustiva, por conta da limitação da nossa mente, mas Deus nos dá o entendimento de tudo o que é necessário para a nossa salvação, para a vida diária da igreja, para a correção, instrução na justiça e para a preservação do Evangelho de Cristo.

Não posso terminar sem deixar de enfatizar que julgar precisa ser em amor! O livro de 1 João deixa isto muito bem claro, quem odeia o seu irmão prova que o amor de Deus não está em si, pois Deus é amor. Amar e julgar não são atitudes antagônicas, mas arrogância e vanglória são opostos ao amor cristão.

“E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo, cheios do fruto da justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus” (Fp 1:9-11).

Fonte:http://diarioreformado.com/

QUEIMAVA E NÃO SE CONSUMIA


Por

Alexandre Amin

A sarça ardente tem sido o símbolo popular entre as igrejas reformadas ao redor do mundo.
Os huguenotes franceses em 1583 foram os primeiros a usá-la como símbolo, juntamente com o moto “flagror non consumor”.
Mas foi na Escócia que o símbolo ganhou maior visibilidade, quando usado em 1691, depois das intensas disputas entre a monarquia e os aliancistas, juntamente com o moto latim “nec tamen consumebatur” – “queimava e não se consumia”.

Este dizer é uma referência ao episódio relatado no livro de Êxodo, no capítulo 3, quando Moisés encontrou uma sarça (arbusto, espinheiro) que ardia em chamas, mas que não era consumida pelo fogo. O Anjo do Senhor apareceu nas chamas de fogo, no meio da sarça. Em primeiro lugar, asseverou sobre a santidade do lugar em que Moisés estava, pois estava na presença de Deus. Em segundo lugar, revelou sua identidade: “Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó” (v. 6); Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus. Em terceiro lugar, o Senhor revelou o propósito deste encontro inesperado, a libertação do seu povo, que estava sendo afligido por séculos no Egito e clamava a Deus por causa deste sofrimento.

É sugerido que os grupos reformados passaram a utilizar a sarça ardente como emblema, numa referência às grandes lutas que a Igreja passava a fim de resgatar os ensinamentos de Cristo e dos apóstolos. No séc. XVI, João Calvino entendeu o relato da sarça ardente como uma representação do povo de Deus, da Igreja que sofre em qualquer era ou lugar, mas sob a qual nem mesmo os portões do inferno podem prevalecer.

Em seu comentário aos livros de Moisés, Calvino escreveu: “A sarça é como as pessoas humildes e desprezadas; a opressão tirânica delas não é diferente do fogo que as teria consumido, se Deus não tivesse miraculosamente se interposto. Assim, pela presença de Deus, a sarça escapou segura do fogo; como é dito no Salmo 46, que embora as ondas de problemas batam contra a Igreja e ameacem a sua destruição, ‘não será abalada’, pois ‘Deus nela está’. Embora as pessoas cruelmente afligidas estejam apropriadamente representadas, aquelas que, apesar de cercadas pelas chamas e sentindo o seu ardor, permanecerem sem consumir-se, é porque foram guardadas pelo presente auxílio de Deus” (John Calvin, p. 62).

Entretanto, o fogo também é o sinal da presença de Deus, que é fogo consumidor (Hb 12.29). O milagre aponta para outro milagre ainda maior: Deus, por sua graça, está com o povo da sua aliança, de forma que eles não são consumidos.

Assim como na época da Reforma e em tantos outros momentos da História, no presente momento a Igreja enfrenta desafios complexos. De um lado, os militantes do Neo-ateísmo com suas críticas materialistas ácidas e os profetas do subjetivismo; do outro lado, as loucuras dos evangélicos, a teologia da prosperidade, o cristianismo emocional e pragmático sem Cristo e a Cruz; sem falar da teologia liberal, e das milhares de outras tendências filosóficas com cheiro de superioridade.

Tudo isso nos faria desesperar e desacreditar do futuro da Igreja. No entanto, quem sustenta a Igreja é Cristo, o verbo divino, pelo qual tudo veio a existir (Jo 1:10). Ele mesmo afirmou que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja (Mt 16:18). Portanto, estamos seguros naquele que é o cabeça da Igreja. O símbolo da sarça continua sendo usado para nos lembrar que mesmo em meio às maiores aflições e dificuldades, a Igreja permanecerá de pé, pela graça de Deus, aguardando o retorno do seu Senhor.

“Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” – Mateus 16:18.

                                                                                     Emblema da Igreja da Escócia.

                                                                         Emblema da Igreja Presbiteriana do Brasil.

                                                        Emblema do Seminário José Manoel da Conceição.


Fonte:http://diarioreformado.com/